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30 de Janeiro de 2026
Manchas na pele que não doem, não coçam e apresentam perda de sensibilidade ainda são, no Brasil, sinais pouco reconhecidos de uma doença antiga, mas que continua atual: a hanseníase.
O Janeiro Roxo, campanha nacional de conscientização, reforça que o diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são fundamentais para evitar incapacidades físicas, reduzir o estigma e interromper a cadeia de transmissão.
O Brasil registrou mais de 22 mil novos casos de hanseníase em 2023, segundo dados mais recentes do Boletim Epidemiológico de Hanseníase do Ministério da Saúde, e ocupa o segundo lugar no mundo em número absoluto de diagnósticos, atrás apenas da Índia. Apesar de ter cura, a hanseníase ainda é cercada por desinformação, o que contribui para atrasos no atendimento e para o agravamento dos quadros clínicos.
“A hanseníase tem tratamento gratuito e eficaz pelo SUS, mas o maior desafio ainda é fazer com que as pessoas procurem ajuda nos primeiros sinais”, afirma a Dra. Luciana Mazzutti, médica dermatologista do AME Carapicuíba, unidade da Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e gerenciada pelo CEJAM. Segundo ela, quanto mais cedo o diagnóstico, menores são os riscos de lesões neurológicas e complicações permanentes.
A especialista explica que a doença é causada por uma bactéria que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Os sintomas iniciais incluem manchas claras, avermelhadas ou acastanhadas com perda de sensibilidade ao calor, frio ou toque, além de formigamentos e dormências em mãos e pés. “Muita gente ignora esses sinais por não sentir dor, mas justamente essa ausência de sensibilidade é um dos alertas mais importantes”, ressalta.
A transmissão ocorre por vias respiratórias em contatos próximos e prolongados com pessoas com a doença e sem tratamento adequado, não havendo risco em abraços, toques ou compartilhamento de objetos.
Além das consequências físicas, o impacto social da hanseníase ainda é significativo. O estigma histórico associado à doença continua afastando pacientes dos serviços de saúde. Para a Dra. Luciana, combater esse imaginário é parte essencial da estratégia de controle. “Hoje sabemos que o tratamento interrompe rapidamente a transmissão e que não há motivo para exclusão social. Informação é uma das principais ferramentas de enfrentamento”, afirma.
O tratamento é feito com medicamentos fornecidos gratuitamente pelo SUS e, na maioria dos casos, dura de seis meses a um ano. “Esse acompanhamento é fundamental porque, quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de evitar sequelas e garantir a recuperação completa do paciente”, explica a dermatologista.
A campanha Janeiro Roxo também chama atenção para a importância da busca ativa e do acompanhamento de contatos familiares para reduzir a circulação da bactéria. “Quando um caso é identificado, orientamos a avaliação das pessoas que convivem com aquele paciente, justamente para detectar possíveis infecções em estágio inicial”, diz.
De acordo com a médica, qualquer pessoa que perceba manchas com alteração de sensibilidade deve procurar uma unidade de saúde. “A hanseníase existe, tem cura e, quando diagnosticada cedo, evita sequelas e garante melhor qualidade de vida ao paciente”, conclui.
Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento
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