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27 de Fevereiro de 2026

O que é diástase abdominal e como ela afeta a saúde?

Foto: Freepik

Por muito tempo associada à estética, a diástase abdominal é uma condição comum após a gravidez e pode provocar impactos que vão além da aparência. Caracterizada pelo afastamento dos músculos retos do abdômen, ela está relacionada à dor lombar, às alterações posturais, ao inchaço abdominal e a desconfortos digestivos, além de interferir no funcionamento de órgãos como bexiga e intestino.

Segundo o ginecologista Dr. Sérgio Rocha, da Santa Casa de São Roque, gerenciada pelo CEJAM em parceria com a prefeitura local, a diástase ocorre quando os músculos abdominais se afastam excessivamente ao longo da linha média. Ele explica que o quadro pode surgir durante a gestação, mas também tem relação com a obesidade e o excesso de levantamento de peso. No pós-parto, o risco aumenta com o ganho de peso e a flacidez abdominal. “O ideal é que a gestante ganhe, em média, até um quilo por mês”, afirma.

Embora muitas pessoas busquem ajuda por motivos estéticos, os sintomas funcionais costumam ser mais limitantes. O especialista ressalta que a diástase pode gerar dor lombar pela alteração da postura, além de inchaço e problemas digestivos. “Em casos mais importantes, há impacto na bexiga e no intestino”, diz. Ele também alerta que, sem tratamento, a condição representa risco em futuras gestações.

O diagnóstico é feito principalmente por exame clínico, com complemento da ultrassonografia. Também é fundamental diferenciar diástase de hérnia abdominal, condições que apresentam semelhanças, mas exigem abordagens distintas. “Essa diferenciação é essencial para definir o tratamento adequado”, explica o médico.

A fisioterapeuta Lilian França, também da Santa Casa de São Roque, afirma que o início dos exercícios depende do tipo de parto e das condições clínicas do paciente. “Após parto normal, geralmente é possível começar entre duas e quatro semanas. Na cesárea, costuma ser necessário aguardar cerca de seis semanas, sempre com liberação médica”, orienta.

Antes de iniciar o tratamento, Lilian esclarece a importância de uma avaliação global, que inclui postura, padrão respiratório, funcionamento do assoalho pélvico e análise específica da diástase. Segundo ela, o foco não é apenas fortalecer o abdômen, mas recuperar o chamado core profundo. “Trabalhamos com ativação do transverso do abdômen, respiração diafragmática e exercícios isométricos leves, associados ao assoalho pélvico, para reduzir a pressão interna e favorecer a reaproximação dos músculos.”

Ela alerta que exercícios tradicionais, como abdominais clássicos, pranchas intensas e flexões de tronco, não devem ser feitos no início da recuperação. Um erro comum, segundo a fisioterapeuta, é seguir treinos encontrados na internet sem orientação profissional. “Forçar exercícios intensos sem controle do core e da respiração costuma atrasar a recuperação.”

O fortalecimento do assoalho pélvico é parte central do tratamento, pois melhora a estabilidade do tronco e ajuda a prevenir problemas como incontinência urinária. Lilian explica ainda que é indispensável diferenciar um core bem ativado de um core hipertenso. “Quando a pessoa consegue manter uma contração suave, respirando normalmente e se movimentando sem rigidez, o core está funcional. Já quando ela prende o ar e endurece o abdômen, aumenta a pressão sobre a diástase e o assoalho pélvico, o que prejudica a evolução.”

Os resultados costumam aparecer em poucas semanas. Melhoras funcionais, como maior estabilidade e redução da dor, podem surgir entre quatro e seis semanas com treino regular. As mudanças estéticas tendem a ocorrer de oito a doze semanas, variando conforme a gravidade da diástase e a adesão ao tratamento.

Há diferenças na recuperação de acordo com o tipo de parto. No parto normal, a musculatura não é seccionada, apenas distendida, o que favorece um retorno mais rápido da função abdominal.

Já na cesárea, a incisão cirúrgica pode causar dor, inibição muscular e aderências, tornando o processo mais lento e exigindo cuidados específicos. Em casos mais graves ou quando a fisioterapia não é suficiente, pode ser indicada cirurgia, que consiste na aproximação dos músculos retos do abdômen. Dr. Sérgio Rocha ressalta, porém, que essa decisão deve ser individualizada. “Na maioria das vezes, a fisioterapia resolve, mas existem situações em que o procedimento cirúrgico é necessário.”

Durante a gestação, a adoção de medidas preventivas contribui para a redução do risco de diástase. O médico recomenda controle do ganho de peso e prática de atividades adequadas, como hidroginástica, pilates e fisioterapia específica para gestantes, sempre com orientação profissional.

No dia a dia, a condição pode afetar tarefas simples, como carregar o bebê, manter a postura por longos períodos ou praticar atividades físicas sem desconforto. Para os especialistas, identificar o problema cedo e buscar orientação adequada auxilia não só na recuperação abdominal, mas também na prevenção de dores, disfunções e complicações futuras, especialmente em novas gestações.

Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento

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